sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sobre gritos silenciosos e amor



Há momentos em que, tudo o que precisamos é que alguém seja condescendente com a gente. Sabe como é? Aquele dia em que todo mundo resolve dar lição de moral ou choque de realidade e dizer “Para de mimimi e segue em frente”, quando tudo o que você quer é colo. Não me entendam errado, eu super aprecio, e inclusive faço questão que as pessoas sejam sinceras e realistas comigo, acho inclusive, que lido bem com essas “verdades nuas e cruas”, mas, há dias que só quero cafuné mesmo. 

Existem poucas pessoas no mundo que me conhecem tão bem ao ponto de reconhecer esses momentos, em que colheres de açúcar se fazem necessárias em cada palavra ou gesto que me é proferido. Aquele momento em que atrás de toda e qualquer fachada, eu estou realmente com medo. Graças a Deus pelos dois, ou não sei o que seria de mim! Sei que parece exagero, mas é verdade. Poder falar com quem parece ser a única pessoa do mundo que sabe exatamente o que você precisa ouvir, é o que mais acalenta a alma em momentos de crise. 

Às vezes isso pode ser confuso para quem vê de fora.  Esse reconhecimento (que só pode ser de mente ou de almas – eu particularmente gosto mais da segunda opção), esse cuidado que faz com que de vez em sempre, a pessoa venha te perguntar (mesmo que sutilmente), ta tudo bem? Bem mesmo? E mais do que essa genuína preocupação, a certeza de que se a resposta for não, a pessoa vai fazer de tudo para te ajudar, independente de qualquer outro fator externo. Mas garanto que para quem está “dentro” é simples, orgânico. É amor. Não amor carnal, nem fantasioso ou platônico, é um amor pleno, que na falta de um termo específico chamamos de “amor de irmão”.


Por esse ser exatamente um desses momentos, em que estou gritando CLEMÊNCIA para o mundo, esse texto é uma tentativa (tão pequena) de agradecer a quem o ouve, em alto em bom som e atende a esse chamado! Amo vocês.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Para começar bem o ano...



Sei que é meio tarde para falar sobre resoluções de ano novo, acontece que passei por um grande dilema com relação a isso, e só agora consegui delimitar minhas promessas para 2011. Isso por que analisando minha agenda do ano passado vi que cumpri apenas uma resolução e meia em 2010, o que não é exatamente animador. Por isso esse ano nada de “perder 10 kg”, “economizar 30% do salário” e “ser mais organizada”, vou me comprometer a coisas que realmente farão a diferença e que podem de fato ser colocadas em prática. Aí vai:

-Não vou mais jogar na cara da minha mãe que nunca tive a casa da Barbie, já se passaram 17 anos e está na hora de superar isso. (Quanto ao fato do meu irmão ter tido uma casa na árvore e eu nem um bonsai, isso eu não posso perdoar nunca, apesar de ser uma pessoa muito espiritualizada).

-Não vou mais matar baratas exclusivamente com os sapatos do meu irmão, vou dividir essas solas sujas também com meu pai e com alguns chinelos velhos que a ninguém pertencem na hora de guardar.

-Vou jogar fora pelo menos metade dos textos e provas que guardei da faculdade de jornalismo, minha mãe tinha razão eu raramente precisarei deles já que trabalho com assessoria de imprensa.

-Vou parar de dizer para minha catequista que voltarei a ir às missas de domingo, é uma piedade mentir para uma senhora de 87 anos. Quando avistá-la na rua vou simplesmente atravessar e fingir que não a conheço.

- Trocarei de carro (e se não trocar vou ao menos mandar arrumar o banco do carona que está solto há um ano e perguntar para alguém para que servem as peças que de vez em quando aparecem soltas e que guardo no porta malas).

-Não vou mais me irritar quando minha avó perguntar toda vez que a vejo o motivo de eu não ter um namorado, ao contrário de minhas amigas. Vou dizer que tenho um namorado, mas por infelicidade do destino ele mora na Índia e é muito tímido para enviar uma foto, mas que estamos muito apaixonados e vamos nos casar em breve. Se ela não acreditar vou imprimir uma foto do primeiro indiano que achar no Google e mostrar a ela.

-Não vou mais roubar imagens do menino Jesus de Santo Antônio, nem congelar Santo Antônio, nem colocá-lo de ponta cabeça dentro de um copo de água (sinto que essas práticas podem estar me atrapalhando mais do que ajudando na hora de arrumar um namorado).

-Não mostrarei mais minha bunda para a lua cheia na esperança de que um pedido meu seja atendido, tudo o que consegui até agora foram alguns fãs no porto que fica em frente a minha casa e sinceramente isso não me ajuda em nada.

- Não vou mais fazer dietas malucas (depois de perder aqueles 10 kg que tanto me incomodam) terei uma dieta super balanceada comendo inclusive salada em todas as primeiras segundas do mês.

- Não acusarei mais os membros da minha família de terem roubado pares de meias e blusas minhas, serei mais responsável e organizada com meus objetos pessoais.

-Não pegarei mais dinheiro emprestado com meu irmão, (a taxa de 4% que ele me cobra é abusiva) vou simplesmente economizar meu salário.

FELIZ ANO NOVO !








terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O novo de novo

Quando as pessoas entraram em nossas vidas elas sempre trazem algo novo, uma espécie de presente que só se reconhece depois de algum tempo. Uns nos ensinam a ter mais paciência diante dos problemas, outros um novo passo de dança, tem aqueles que mostram o valor da gargalhada fora de hora e outros a beleza das lágrimas. Mas, assim como somos presenteados também somos saqueados de nossos sentimentos, crenças, prazeres, desejos. Todas as grandes dores não nascem do que ficou e sim do que foi levado, do que nos foi tirado, na maior parte das vezes, à força.

Por algum tempo agora eu tenho esperado que alguém surja em minha vida e devolva tudo aquilo que me é de direito, todos aqueles sonhos e desejos que foram carregados por pessoas que se foram, palavras gritadas, injustiças testemunhadas. Só agora percebo que não cabe a ninguém devolver o que sempre me pertenceu. Clamei por tudo o que perdi e no mesmo momento me foi entregue a paz de quem acredita na recompensa do trabalho, no poder dos pedidos feitos às estrelas, na cura que vem de um beijo, nos sinais quase imperceptíveis que sussurram que tudo ficará bem.


Depois de tanto tempo me alimentando das palavras alheias eu declaro aberta uma nova temporada de palavras próprias, sem meias palavras.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O grande prêmio

Nós mulheres passamos a nossa vida elaborando desculpas para os homens. Foi o que nos ensinaram a fazer desde pequenas, sua mãe inventava desculpas pelo seu pai, sua avó pelo seu avô e assim por diante. Mas na verdade o que estamos fazendo é inventando desculpas para nós mesmas, nós sim precisamos viver o perfeito conto de fadas para sermos felizes. Eu tive alguém em minha vida, alguém que me amava pelo que sou. Alguém que respeitava meus desejos e sonhos, perdoava meus defeitos e me beijava até eu não sentir mais meus lábios. Por todo o tempo que estivemos juntos eu me julguei sortuda, eu era uma das poucas premiadas com o relacionamento perfeito.

Ele me acompanhava a todos os lugares, me esperava depois da aula mesmo tendo de acordar cedo no dia seguinte, gostava dos meus amigos, me mandava mensagem no meio da tarde apenas para dizer que pensou em mim. Eu vivia uma das verdadeiras histórias de amor, daquelas que você ouve falar e pensa: Como eu queria que fosse eu.

Quando faltavam dias para ele partir, para o desconhecido, para uma nova fase, para outro país, eu decorei cada centímetro do seu rosto, o cheiro do seu cabelo, o gosto de sua boca. Ainda o fiz prometer que ele voltaria para mim, que juntos viveríamos todos os planos que por diversas vezes imaginamos. Ele seria meu novamente e eu seria dele para sempre. Por sete meses eu fui a perfeita mocinha de um romance, agonizei de saudades, enlouqueci com ciúmes, contei os dias até a sua volta. Logo eu seria novamente a heroína de meu próprio livro, a princesa que finalmente encontra seu príncipe, eu voltaria a ser a premiada.

E então ele voltou, não para mim, mas para o país. Aqui está ele, meu príncipe, meu amor, há apenas alguns poucos quilômetros de distância, mas por algum motivo que eu não consigo entender, ele não está comigo. Eu poderia inventar desculpas, analisar cada momento, cada e-mail, cada frase dita nesses últimos meses. Mas nada mudaria o fato de que ele simplesmente não me ama mais. E essa é a verdade, nada mais do que a verdade, sem desculpas.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Relações velhas X novas

Quando cometemos um erro juramos a nós mesmos e aos outros que nunca mais o repetiremos. É uma dívida com nosso bem estar: não se deixar enganar duas vezes, conseguir detectar uma má situação, etc, etc ,etc.

Por muito tempo eu achei que havia conseguido manter minhas promessas, principalmente quando se trata de homens e seus artifícios, seus jogos, suas meias palavras. Recentemente uma amiga me disse que os homens devem ser julgados por suas ações e não suas palavras, segundo ela as mulheres por natureza falam tudo o que sentem. Os homens não.

Meu grande medo com o passar dos anos e dos diversos relacionamentos fracassados, foi me tornar cética. E devo admitir passei muito perto, ao ponto de quase não enxergar algo verdadeiramente bom. Mas o fato é que agora, nesse exato momento não consigo distinguir se estou ou não de volta aos velhos erros.

Quando se trata de relacionamentos devemos escutar nosso coração ou razão? Será que todas as situações pela qual passamos são sempre as mesmas, apenas mascaradas de outra forma? E se forem... elas sempre terminam da mesma forma?

Jéssica M. Feller
que não consegue parar de se torturar