terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Coisas que ninguém te conta sobre morar sozinha:

Quando você revela que vai morar sozinha pela primeira vez, todo mundo quer dar “dicas” (leia-se pitacos) sobre como você vai se sentir, o que terá que fazer, o que vai estranhar, etc, etc.  Depois de ouvir aquele montante de clichês, você descobre que na verdade foi sobre o que eles não falaram que vai te marcar mais.

- Lavar louça, limpar a casa, cozinhar, não são NADA comparados a jogar o lixo. JURO, você pode lavar paredes e não se importar, mas ter que colocar uma roupinha mais ou menos (correndo o risco de algum vizinho gato te ver toda cagada) pra descer e levar o lixo, esse será o maior sacrifício de todos.

- Limpar o ralo do chuveiro vai mudar a sua vida. Não adianta dizer: “já limpei muita casa suja”, “já vi de tudo”, a primeira vez que você limpar um ralo de chuveiro você nunca mais será o mesmo (não vou dar spoiler porque acho injusto, mas dou dica: LUVAS).

-O mais difícil é não ter em quem colocar a culpa: Faz 2 meses, sim DOIS, que perdi o pé esquerdo de uma sapatilha laranja dentro do meu apartamento (de um quarto diga-se de passagem). Eu não posso dizer: “Quem pegou?”  “Quem escondeu?”  E nem mesmo “pelo amor de Deus me ajuda a procurar”. Eu perdi, já procurei por tudo, e não há testemunhas nem o que fazer.

- Comprar água é a pior parte das compras: eu sei que ela é primordial e sem ela a gente tipo, morre, mas comprar água é um saco! Primeiro que você para e pensa, quantos litros preciso? Onde vou guardar esses galões? Como vou carregar isso sozinha? E ai vem aquele pensamento obscuro “e se eu der uma fervida na água da torneira, será que não rola?”. (Não, Não rola, compra o que consegue carregar e sempre, SEMPRE verifica se está acabando o estoque).  

-Gritar não é opção: não importa se for uma tarântula de 2 metros de altura, barata voadora de 3 cabeças, formigas carnívoras,  se o inseto entrou na sua casa é seu DEVER moral matá-lo sozinha (e limpar os restos mortais). E não tem essa de: vou me trancar no quarto e esperar ele ir embora sozinho, se enche de coragem e vai, com vassoura, sapato, remo, não importa! Só vai e mata (depois do primeiro fica bem mais fácil).



Jéssica M. Feller


Sobrevivente do ataque de um besouro durante o banho 






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Sobre aventurar-se


Em agosto de 2014  tomei uma decisão que mudou minha vida, e me trouxe até aqui. Devo dizer que os primeiros nove meses que antecederam agosto não foram nada fáceis, em meio a uma vida perfeitamente normal, com emprego estável, amigos e família mais que especiais, um amor correspondido, um maremoto se iniciou. Não vou entrar em detalhes (aguardem para quando eu tiver 80 anos e lançar minha autobiografia), mas vou ser categórica: minha vida virou de cabeça para baixo da pior forma possível. Todos os meus valores e crenças foram questionados em todos os sentidos. De repente me vi, em meio a destroços do que antes era minha vida e me questionei: eu tenho mesmo coragem de ser quem quero ser? De fazer o que realmente quero fazer? 

E me senti tão ridícula e hipócrita, ora, quem não vive o que acredita tem que nome? E foi ai que meu pé encontrou o pau da barraca. Pedi demissão do meu emprego de cinco anos e aceitei o convite de uma amiga de infância para viajar e ficar na Ucrânia durante dois meses. E pra quem não me conhece explico, sempre fui a pessoa mais medrosa do mundo, daquela que pensa um milhão de vezes antes de fazer algo, que mede cada consequência, e por isso não foi surpresa que 99% dos meus familiares e amigos disse: Não, você não vai!

Ah, mas eu vou sim! Largar emprego? Feito! Viajar para um País em guerra? Porque não? Medo de ter o avião atingido? De forma alguma! Morrer de saudades? Eu dou um jeito! Me virar nos 30 em todas as situações possíveis? Claro!

E ai que vivi os dois meses mais incríveis da minha vida, mais libertadores, desafiadores e felizes e... Ah, vocês entenderam! Conheci a Ucrânia, Alemanha, Turquia e fiquei algumas horinhas em Paris (e já essas horinhas renderam mil e uma histórias). E o resultado de tudo isso, de todas essas experiências lindas, perrengues e pessoas maravilhosas que conheci, foi a decisão de que meu próximo voo seria mais alto. Aquele que sempre sonhei, que sempre me deu frio na barriga,  que eu já achava que não realizaria: mudar de cidade e morar sozinha!

Em fevereiro completo um ano de vida nova, e agora com a cabeça um pouco menos “anuviada”, senti que chegou a hora de compartilhar um pouquinho dessa aventura que chamo de vida.





    
              Essa foto é só pra fazer invejinha e dizer: olha eu na Europa! ALOKA! 




sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sobre gritos silenciosos e amor



Há momentos em que, tudo o que precisamos é que alguém seja condescendente com a gente. Sabe como é? Aquele dia em que todo mundo resolve dar lição de moral ou choque de realidade e dizer “Para de mimimi e segue em frente”, quando tudo o que você quer é colo. Não me entendam errado, eu super aprecio, e inclusive faço questão que as pessoas sejam sinceras e realistas comigo, acho inclusive, que lido bem com essas “verdades nuas e cruas”, mas, há dias que só quero cafuné mesmo. 

Existem poucas pessoas no mundo que me conhecem tão bem ao ponto de reconhecer esses momentos, em que colheres de açúcar se fazem necessárias em cada palavra ou gesto que me é proferido. Aquele momento em que atrás de toda e qualquer fachada, eu estou realmente com medo. Graças a Deus pelos dois, ou não sei o que seria de mim! Sei que parece exagero, mas é verdade. Poder falar com quem parece ser a única pessoa do mundo que sabe exatamente o que você precisa ouvir, é o que mais acalenta a alma em momentos de crise. 

Às vezes isso pode ser confuso para quem vê de fora.  Esse reconhecimento (que só pode ser de mente ou de almas – eu particularmente gosto mais da segunda opção), esse cuidado que faz com que de vez em sempre, a pessoa venha te perguntar (mesmo que sutilmente), ta tudo bem? Bem mesmo? E mais do que essa genuína preocupação, a certeza de que se a resposta for não, a pessoa vai fazer de tudo para te ajudar, independente de qualquer outro fator externo. Mas garanto que para quem está “dentro” é simples, orgânico. É amor. Não amor carnal, nem fantasioso ou platônico, é um amor pleno, que na falta de um termo específico chamamos de “amor de irmão”.


Por esse ser exatamente um desses momentos, em que estou gritando CLEMÊNCIA para o mundo, esse texto é uma tentativa (tão pequena) de agradecer a quem o ouve, em alto em bom som e atende a esse chamado! Amo vocês.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Para começar bem o ano...



Sei que é meio tarde para falar sobre resoluções de ano novo, acontece que passei por um grande dilema com relação a isso, e só agora consegui delimitar minhas promessas para 2011. Isso por que analisando minha agenda do ano passado vi que cumpri apenas uma resolução e meia em 2010, o que não é exatamente animador. Por isso esse ano nada de “perder 10 kg”, “economizar 30% do salário” e “ser mais organizada”, vou me comprometer a coisas que realmente farão a diferença e que podem de fato ser colocadas em prática. Aí vai:

-Não vou mais jogar na cara da minha mãe que nunca tive a casa da Barbie, já se passaram 17 anos e está na hora de superar isso. (Quanto ao fato do meu irmão ter tido uma casa na árvore e eu nem um bonsai, isso eu não posso perdoar nunca, apesar de ser uma pessoa muito espiritualizada).

-Não vou mais matar baratas exclusivamente com os sapatos do meu irmão, vou dividir essas solas sujas também com meu pai e com alguns chinelos velhos que a ninguém pertencem na hora de guardar.

-Vou jogar fora pelo menos metade dos textos e provas que guardei da faculdade de jornalismo, minha mãe tinha razão eu raramente precisarei deles já que trabalho com assessoria de imprensa.

-Vou parar de dizer para minha catequista que voltarei a ir às missas de domingo, é uma piedade mentir para uma senhora de 87 anos. Quando avistá-la na rua vou simplesmente atravessar e fingir que não a conheço.

- Trocarei de carro (e se não trocar vou ao menos mandar arrumar o banco do carona que está solto há um ano e perguntar para alguém para que servem as peças que de vez em quando aparecem soltas e que guardo no porta malas).

-Não vou mais me irritar quando minha avó perguntar toda vez que a vejo o motivo de eu não ter um namorado, ao contrário de minhas amigas. Vou dizer que tenho um namorado, mas por infelicidade do destino ele mora na Índia e é muito tímido para enviar uma foto, mas que estamos muito apaixonados e vamos nos casar em breve. Se ela não acreditar vou imprimir uma foto do primeiro indiano que achar no Google e mostrar a ela.

-Não vou mais roubar imagens do menino Jesus de Santo Antônio, nem congelar Santo Antônio, nem colocá-lo de ponta cabeça dentro de um copo de água (sinto que essas práticas podem estar me atrapalhando mais do que ajudando na hora de arrumar um namorado).

-Não mostrarei mais minha bunda para a lua cheia na esperança de que um pedido meu seja atendido, tudo o que consegui até agora foram alguns fãs no porto que fica em frente a minha casa e sinceramente isso não me ajuda em nada.

- Não vou mais fazer dietas malucas (depois de perder aqueles 10 kg que tanto me incomodam) terei uma dieta super balanceada comendo inclusive salada em todas as primeiras segundas do mês.

- Não acusarei mais os membros da minha família de terem roubado pares de meias e blusas minhas, serei mais responsável e organizada com meus objetos pessoais.

-Não pegarei mais dinheiro emprestado com meu irmão, (a taxa de 4% que ele me cobra é abusiva) vou simplesmente economizar meu salário.

FELIZ ANO NOVO !








terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O novo de novo

Quando as pessoas entraram em nossas vidas elas sempre trazem algo novo, uma espécie de presente que só se reconhece depois de algum tempo. Uns nos ensinam a ter mais paciência diante dos problemas, outros um novo passo de dança, tem aqueles que mostram o valor da gargalhada fora de hora e outros a beleza das lágrimas. Mas, assim como somos presenteados também somos saqueados de nossos sentimentos, crenças, prazeres, desejos. Todas as grandes dores não nascem do que ficou e sim do que foi levado, do que nos foi tirado, na maior parte das vezes, à força.

Por algum tempo agora eu tenho esperado que alguém surja em minha vida e devolva tudo aquilo que me é de direito, todos aqueles sonhos e desejos que foram carregados por pessoas que se foram, palavras gritadas, injustiças testemunhadas. Só agora percebo que não cabe a ninguém devolver o que sempre me pertenceu. Clamei por tudo o que perdi e no mesmo momento me foi entregue a paz de quem acredita na recompensa do trabalho, no poder dos pedidos feitos às estrelas, na cura que vem de um beijo, nos sinais quase imperceptíveis que sussurram que tudo ficará bem.


Depois de tanto tempo me alimentando das palavras alheias eu declaro aberta uma nova temporada de palavras próprias, sem meias palavras.